Conheça RED, a primeira websérie lésbica do Brasil. Entrevista com Germana Belo.

Redação Catapulta Ad


Dentro da sigla LGBTIQ+, a visibilidade não é algo universal. A letra “L” sofre constante silenciamento. Vivemos em um momento de grande exposição do movimento, sobretudo nas redes sociais, não só no Brasil, como também pelo mundo.
Entretanto, ainda na militância, vemos resquícios de machismo, originado, provavelmente na estrutura da sociedade.
Enquanto vemos comerciais “inclusivos” na TV e personagens clichês nas novelas como forma de representação, a representatividade lésbica fica pra trás nessa evidência gigante dada à letra G. 
A não inclusão dessa letra, mesmo dentro desse universo LGBTIQ+, racha o real significado da palavra diversidade, pois não tendo o devido espaço de representatividade levam a uma, digamos, dupla carga de opressão em nossa sociedade patriarcal. 
As estruturas da sociedade desempenham papel nisso ao colocar as mulheres em posição de gênero inferior, além da lgbtfobia sofrida por mulheres homossexuais.
É claro que se sentiria falta da representatividade dessas mulheres nas mídias. Na TV ou na internet, a invisibilidade toma conta dessa luta e coloca de lado a importância de cada uma delas. 
RED é uma faísca nesse monte de folha seca. Encandeia e mostra sua presença a partir de uma história tão comum, bastante fácil de se identificar com ela.
As falas, os lugares, as relações amorosas. É fácil se ver nas dificuldades das personagens, nas suas tristezas e felicidades. Contar uma história comum à vida cotidiana de todxs e dar visibilidade a uma população que não se vê representada é o que podemos observar na websérie.
Duas atrizes que trabalham juntas, em cena. Não demora muito pra perceberem o que sentem e o desenrolar é discreto e tentador. É um drama gostoso e ao mesmo tempo tão puro e que prende o espectador pela sua verdade.  O amor lésbico é real. Elas são reais e isso deve ser representado, ser mostrado pra todos.
O projeto de Germana Belo, Fernando Belo e Viv Schiller, sem verba a princípio. Germana e Viv assinam como escritoras e Fernando como diretor dessa obra que ganhou notoriedade no exterior pela sua forma de representar a realidade LGBTIQ+. Disponível no Vimeo, RED a websérie atraiu olhares do público internacional, fazendo com que o projeto tivesse seus direitos de exibição comprados pelo serviço de stream francês Studio+.
Entre os prêmios, vale destacar que a série ganhou Melhor Série Dramática, Melhor Série Brasileira e Melhor Atriz (para Luciana Bollina) no Rio Web Fest 2017. Mais recente, a equipe de RED foi selecionada para participar do ClexaCon, uma convenção que debate o papel importante das mulheres LGBTIQ+ no entretenimento.

A série, que já está em sua quarta temporada (teve sua pré-estreia no Vimeo on Demand no dia 22 de maio e o lançamento oficial no canal aberto do Vimeo para o dia 12 de junho), pode ser vista clicando no link abaixo:


Pouco tempo depois do retorno de Germana Belo ao Brasil, vinda da ClexaCon, a co-criadora respondeu algumas perguntas para o blog que podem ser lidas a seguir:
Catapulta -Você acha que a Liz, no início da série, começa a procurar a Mel em outras mulheres?
Germana- Não, não diria isso.
Catapulta - O que representa, para a série e para você, o convite ao ClexaCon e o prêmio no NYC Web Fest 2017?
Germana- O prêmio no NYC Web Fest foi um reconhecimento importante do nosso trabalho. Nós concorremos na categoria geral de série dramática, com criadores de várias partes do mundo, inclusive americanos, e ganhamos, ainda que com uma série de nicho e falada em língua estrangeira.
O convite para a Clexacon também foi um grande reconhecimento e mais uma confirmação de que existe o interesse de um público global no nosso trabalho.
Catapulta - Você acredita que na mídia brasileira o silenciamento lésbico é grande?
Germana- Acredito que a invisibilidade como agente de silenciamento atinge as minorias, no geral, na mídia brasileira. Falando da visibilidade lésbica, especificamente, acho que estamos bastante atrasados se comparamos o que tem sido produzido aqui com o que anda sendo feito em países mais progressistas. Mesmo nas raras vezes que a mídia tenta abordar o tema não é, exatamente, muito feliz.
Catapulta - De onde partiu a ideia de começar uma websérie?
Germana- Da vontade de produzir conteúdo para esse público, LGBTQ+ feminino, do qual eu e Vivian fazemos parte. A opção pelo formato foi a solução que encontramos para conseguir viabilizar o projeto de maneira independente. 





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