Nunca a diferença fez tanta diferença: Festival de Publicidade de Gramado 2017

Reflexões sobre desigualdade de gênero, mudanças na sociedade e o papel da comunicação social como agente transformador da sociedade foram alguns temas do Festival de Publicidade de Gramado 2017 

 Por Filipe Nogueira - 26.06.17 - Para Blog da Catapulta

Entre os dias 7 e 9 de 2017 aconteceu em Gramado, RS o 21º Festival Mundial de Publicidade de Gramado. A Catapulta esteve no evento e tem o prazer de disponibilizar a estudantes, clientes e amigos um resumo do que foi o evento. O tema do evento foi “Nunca a diferença fez tanta diferença”, painéis que abordaram temas como diversidade na comunicação, questões de gênero, o mundo em constante mudança, publicidade nos países que não aceitam bem as diferenças entre outros. Profissionais do meio como Hugo Rodrigues (Publicis Brasil), Rondon Fernandes (Horizon FCB Dubai), Ricardo Figueira (África), André Kassu  (Crispin Porter + Bogusky Brasil), Lucas Mello (Livead) , André Passamani (Mutato), Fernanda Romano (Malagueta), Márcio Callage (Cubo CC), Ian Black (New Vegas), Ricardo Sales (Mais Diversidade) e Caco Barcellos e Regina Casé da Rede Globo entre outros. O evento foi organizado pela Associação Latino-Americana de Publicidade – ALAP e patrocinado pela Globo e pelo Grupo RBS.

Confira um resumo do Festival:

Parte I: Sem as diferenças, a propaganda não faz mais diferença. Verdade ou Mentira?


1-A  - Painel A Publicidade nos países sem espaço para as diferenças


Composto por Hugo Rodrigues (Publicis Brasil) e Rondon Fernandes (Horizon FCB Dubai), no painel, Hugo citou que existem teorias que dizem que o cérebro humano se acostuma com algo novo tendo já visto 21 vezes. O profissional demonstrou com isso a importância dos profissionais de publicidade, que segundo ele, ao promover a diversidade em campanhas, estaria de certa forma educando não só o cidadão a aceitar as diferenças. Hugo, que é presidente da Publicis Brasil expôs algumas peças produzidas pela agência entre as exibidas estão a “The Cliché” para a Heineken e “Superheroes para os Jogos Paralímpicos 2016 do Rio.



Rondon Rodrigues, que atualmente trabalha em Dubai, passou anteriormente por um período de 2 anos na Rússia, onde segundo ele o mercado é parecido ao brasileiro na década de 1970, devido do mercado russo apenas na década de 1990, no país pôde desenvolver campanhas de baixo orçamento e grande repercussão.



Já em relação ao trabalho atual, em Dubai, Rodrigues explicou algumas características da região, a qual segundo ele Dubai é o centro de influência cultural e comportamental, além de ser um pólo de produção de conteúdo. Em Dubai, Rondon desenvolveu o projeto de adaptação da Starbucks na Arábia Saudita, sem a tradicional sereia da rede de cafeterias, observando que para a cultura local, reprodução de imagens é proibida devido à religião.
Reprodução


Uma ação de sensibilização de grande visibilidade e que fez a diferença na região foi realizada para chamar atenção da região e do mundo para o fato de alguns países como o Líbano permitirem o casamento de meninas a partir dos 14 anos de idade. A ação teve baixo custo e teve alcançou grande visibilidade.

Uma das campanhas de maior repercussão global, produzida a um baixo custo localmente foi a “Never Say no to Panda”:




1B - Painel "A Publicidade nos países que mais aceitam as diferenças"



Ricardo Figueira (África) e Caio Delmanto (Crispin Porter + Bogusky Brasil) participaram do debate. Ricardo cita que embora o tema tenha a ver com diferenças em países que aceitam mais a diferença, o uso dos algoritmos muitas vezes cria clusters com pessoas de pensamento igual, mais individualistas.  Figueira cita ainda que em sua experiência em Londres pôde observar que enquanto latinos tendem a ignorar o briefing e apelar para a emoção, para os nórdicos, a emoção só surpreende se houver lógica na mensagem mostrada.  O profissional estimula a plateia composta majoritariamente por jovens a experimentar, não tendo medo de errar e a ter o diferente como algo positivo. Na opinião de Ricardo as marcas em países com maior liberdade de expressão devem ainda mais demonstrar atitudes que condizem seu posicionamento de aceitação às diferenças. O profissional lembra da dificuldade de criar diferenciais em países que aceitam mais as diferenças.
Por isso , soluções e campanhas como “fleet lights” para a seguradora “direct line” que inovou a propor, ainda em fase experimental, oferecer um serviço de iluminação de caminhos para seus segurados.

Por fim, Figueira ressalta a importância de realmente entender o verbo diferenciar.
Durante as perguntas Ricardo diz: “As marcas que tiveram a coragem de fazer a diferença podem até não ter tido o maior número de likes, mas terão fieis para sempre”
Caio critica o que chamou de costume brasileiro em sempre esperar o grande próximo criativo, o que ganhará prêmios de comunicação. Delmanto começa a enumera algumas diferenças encontradas entre trabalha em uma agência em Londres e no Brasil, entre elas estão:

1 Ignoramos o passado

Devido nossa obsessão por premiações, sempre estamos esperando o próximo e esquecemos de ver bons exemplos de inovação em outros tempos. “tomorrow is overrated”

2 Kill the King

Segundo Caio, nossa obsessão por prêmios e pelo reconhecimento nos leva muitas vezes a fazer com que isso nos impeça de crescer e se comunicar com o consumidor. Marta o rei seria matar o orgulho, elogiar e criticar a campanha de outras agências, por exemplo sem medos.

3 Cut the bullshit

No Brasil temos a cultura de não sermos diretos e muitas vezes sempre nos expressarmos com anedotas. O que não necessariamente seja algo ruim, porém temos que ter em mente que em muitos casos há que se cortar os rodeios e ir direto ao ponto.

4 A cultura do que está na moda

Temos a cultura de direcionar a criatividade para temas na moda do momento, muitas vezes devido à obsessão pelos prêmios.

5 “Go, James, go”

Caio conta a história de James, um colega de trabalho europeu que decidiu largar emprego em uma importante agência e se aventurar em Shangai. Enquanto essa cultura é reprimida no setor no Brasil, lá é incentivada.

6 “Don’t say it unless you mean it”

Como dito anteriormente, temos o costume de dar voltas para chegar ao assunto, Caio enfatiza que a prolixidade pode ser maléfica tanto na publicidade como no meio de trabalho.

7 Free Speech

A liberdade que Delmanto ressaltou possuir no velho continente em expressar o que acredita, sugere que busquemos também no mercado nacional.
Finalmente, Caio expõe a realidade londrina que acredita em profissionais estrangeiros, enquanto no Brasil isso não seja uma prática corriqueira.


1- C Painel "Latinos que fazem a diferença"


André Kassu, conta de seu novo empreendimento, ou seja, ter trazido a Crispin Porter + Bogusky Brasil para o país, o qual era um sonho antigo dele e de seu sócio. Kassu acredita que quem deve mandar em uma agência é a ideia e comenta que em sua agência não se pode ter ideias penduradas nas paredes e sim filosofia. Acredita que teorizamos demais e praticamos de menos e nos convida a praticar o futuro.
André Kassu no painel "Latinos que fazem a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta

“Enquanto queremos entender o Uber, já tem o Cabify”
Assim como Caio, André cre que não olhamos pra trás e não observamos a criatividade de grandes talentos.
André cita três exemplos exitosos do passado


Reprodução Elite Traveler

Guia Michelin, apontado por André como excelente ideia de propaganda, a ideia de buscar restaurantes que valham a pena cruzar o país, gastar o pneu e que gerassem consumo do próprio pneu. Kassu brinca: “Se existesse, teria ganhado um leão de Cannes”.
Outro exemplo citado por André é uma ação de  “marketing de oportunidade” ou de “guerrilha” proposto pela Puma a Pelé , antes mesmo desses termos serem difundidos:

Reprodução - Women of Brazil

Puma pediu que Pelé entrasse em campo durante a Copa de 1970 com suas chuteiras desamarradas e as amarrasse ao entrar em campo, o que fez com que 200 milhões de telespectadores vissem o calçado que em pouco tempo estaria disponível para consumo.

Por último, a criação de Neil Ferreira, um dos publicitários que André mais admira, que criou o símbolo do leão como representação do imposto de renda.



André ao citar alguns lemas diz “Ideia é igual carro alegórico: se não empurrar não anda”
Kassu ainda ressalta a importância da paixão pelo o que faz e lembra de como nós, latinos, somos conhecidos pela paixão ao criar: “gente morna desaparece”.
O palestrante mostra algumas criações na Crispin Porter e ressalta a importância de criar produtos:



Reprodução CP+B /McCain

Ideia levada à McCain, que levou substancial aumento nas vendas além de repercussão nas redes.
Serviço de visitação a cervejarias da Ambev ao redor do mundo:


Pridetag Smirnoff



Para cada comentário, a marca gerou uma intereação direta. Para evitar os haters a marca criou um ambiente de “festa fechada”, ativando a publicação entre internautas a favor e quando os haters perceberam a publicação, se sentiram deslocados, muitas vezes eles mesmos apagando os comentários.



Kassu: “Emoção nunca sai de moda”


2.       Parte II: Hoje a diferença vem dos lugares mais diferentes 

                

            2-A    A- diferenças que vem das ruas e que vem do conteúdo


No painel estiveram presentes Fred Muller, diretor da Globosat ; Edu Cama, diretor de novos negócios da Vice Brasil e Geraldo Leite, presidente as Singular, Mídia & Conteúdo.
Muller inicia o painel questionando as previsões do fim da televisão e aponta que, segundo ele, o mercado deve encaminhar-se na direção do crescimento do que é chamado de “multitelas”. Fred mostra que o consumidor globosat se caracteriza por ser mobile, consumidor e usuário e deseja, cada vez mais, conteúdo segmentado. No final, Fred trouxe o caso do Viu Hub, a plataforma da Globosat para produção de conteúdo para as redes:




Já Cama, presidente da Vice Brasil apresentou aos que não conheciam a empresa a qual trabalha, que é apontada por muitos como a Time Warner da internet. A empresa que já é consolidada na internet, sabe que não é qualquer conteúdo chama atenção na rede, por isso existe na empresa o chamado “bullshit detector” quando existe uma campanha ou propaganda feita em parceria com a Vice que seria, na verdade, mais do mesmo. A empresa busca usar ferramentas de storytelling, para fazer campanhas publicitárias. Edu apresentou o projeto feito da Vice em parceria com o Itaú, que virou um documentário, no youtube chamado “Ciclos” que é um convite à reflexão sobre mobilidade urbana e meios não-poluentes de locomoção.


Para Geraldo Leite, que estava no painel representando o rádio comenta a importância do rádio na comunicação no país, que ainda é bastante ouvido pela população e segundo ele, não recebe a mesma importância dada à TV pelos anunciantes.


2-B- Painel "A diferença que vem das agências diferentes"


Deste painel participaram Lucas Mello, CEO da LiveAd; André Passamani, Diretor da Mutato; Eco Moliterno, da Accenture Interactive e Nicolas Motta, diretor da 3YZ.
Lucas Mello inicia o debate relembrando seu início de carreira, quando ao fazer campanha para Olympikus Tube, onde antes da explosão do fenômeno de digital influencer, Lucas encontrou jovens que eram formadores de opinião em escolar de classe média em algumas cidades, fez com que eles participassem do processo de criação do tênis e entregou o tênis em mãos, ainda que a marca tenha um posicionamento para outras classes sociais, os adolescentes ficaram bastante contentes em ver algo customizado entregue a eles. Essas ações classificadas por ele como “marketing boca a boca” deram visibilidade ao tênis.  Mello avança no tempo e relembra que os blogueiros apareceram pela primeira vez na grande mídia em 2006 quando blogs de celebridades foram convidados para cobrir o carnaval e Lucas esteve no projeto.  Lucas comenta ainda que em 2009 conquistou o prêmio Leão de Ouro em Cannes na categoria de PR com o projeto Mil Casmurros para a Rede Globo, na promoção de “Capitu” Mello contou que juntou uma obra de 1899 ao conceito de rede social, o que fez com que a obra fosse lida coletivamente por mil pessoas, a ideia chamou atenção do público e da mídia estrangeira.
Lucas comenta ainda que acredita existir 2 lados para fazer diferente, o estético e o conteúdo. Em relação ao conteúdo Mello diz crer que o mesmo seja uma ferramenta poderosa em gerar desejo ao consumidor.  Como exemplo Lucas mostrou a campanha de dia dos namorados para a Bem and Jerrys, a qual houve relutância na Unilever local, mas ele levou o caso até a direção global da companhia a qual autorizou:


Lucas aconselha aos estudantes que os caminhos que nos falaram para seguir já são velhos


André Passamani da Mutato acredita que o modelo de “dupla de criação já passou” e que a criação pode ocorrer em equipe e inclusive ouvir, respeitar as opiniões dos mais jovens, “ouvir o estagiário” o ajudou bastante a acertar em temas mais atuais os quais muitas vezes ele não conhecia a fundo. Passamani reafirma a importância de ouvir mesmo que muitas vezes a comunicação não seja fácil.


“Quando você demonstra que não é só pra lacrar, que também tem resultado, o cliente começa a entender” André Passamani

Nicolas Motta, diretor da 3YZ, conta que evita em falar em mídia digital para fugir dos modismos que creem que deva-se existir campanhas exclusivamente digitais e não integradas. Motta acredita que mais que nunca, devemos ser transparentes na comunicação social e que as campanhas atuais devem ser próximas do público/representativas, úteis e que tragam resultados.  Nicolas aponta que existe uma forte tendência em diminuição do vínculo veículo/agência.  Motta fala da preocupação da 3YZ na igualdade de gênero no espaço de trabalho e que na agência existe esse princípio.


Nicolas cita o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau que perguntado porque metade de seu gabinete é composto por mulheres responde “Because it’s 2015”.

     2- C -  Painel  ""A diferença que vem das redes"


Neste painel estiveram presentes Rafinha Bastos, humorista; Gustavo Chagas, do Porta dos Fundos e Gil Giardelli, web ativista, especialista em redes, professor da ESPM-SP.
Gil começa um pequeno resumo de práticas, iniciativas e avanços tecnológicos relacionados a redes, entre elas a criação de smart clothes pela Levi’s, sensíveis ao toque.


Giardelli diz ainda que “o diploma de todos nós já têm data de validade, o dia depois que nos formamos” devido à intensidade e rapidez que as mudanças vem ocorrendo e que nós necessitamos constantemente aprender, desaprender e reaprender. Rafinha Bastos lembra de seu blog, da década passada que foi onde teve bastante visibilidade, o humorista defende a liberdade de criação na web inclusive para conteúdos considerados muitas vezes contraditórios, pois seria mais fácil saber da existência de grupos radicais na web que na deepweb, por exemplo. Em relação ao público da rede, Bastos comenta que quanto maior seu público, mais chances de certa forma, ser limitado por seu público você será pois para manter os views você poderá ser forçado a seguir o mesmo modelo o qual teve sucesso. Gustavo Chagas falou da importância em respeitar as críticas de grupos que se sentiram ofendidos por conteúdos das redes, pois muitas vezes não entendemos a realidade dessas pessoas.

Rafinha Bastos em Painel " A diferença que vem das Redes" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta


        Parte III: Gente que está fazendo a diferença


      3-A- Painel "Mulheres que estão liderando e construindo a diferença"


Deste painel participaram Andrea Siqueira, diretora de Criação da Isobar; Fernanda Romano, diretora da Malagueta NY e Luisa Kracht, diretora de Cinema da Primo Cinematográfica.

Painel "Mulheres que estão liderando e construindo a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta

Luisa inicia o painel perguntando por quê há a necessidade de impor uma sensibilidade da mulher e impor às mulheres certos trabalhos tidos como relacionados ao gênero. Kracht afirma que seu trabalho mais difícil foi para a equipe de futebol do Boca Juniors e não por se tratar de um tema tido do universo masculino e sim pelo fato dela ser torcedora do River Plate.
Mais a frente Luisa fala que há que se combater o que se chamou de um certo aprisionamento do papel da mulher e que acredita que se existe uma sensibilidade feminina a mesma se trata de saber que o lugar da mulher é não aprisionar o papel da mulher.
Fernanda Romano começa o debate expondo que estudos apontam que no Festival de Publicidade mais famoso do mundo, o de Cannes, mais de 80% dos premiados são homens brancos. Devemos pensar no que faz com que a desigualdade de gênero chegue a esse nível. Romano ainda afirma que quando se há pessoas diferentes na sala, os resultados são maiores e não só em relação a mulheres, mas sim também de trans, gaus etc.  Fernanda diz que de certa forma sempre temos algo machista pois somos produtos do meio. Romano cita como bom exemplo nos EUA o livro ‘Rebel Girls” de meninas reais que foram consideradas rebeldes e fizeram grandes feitos e é feito pra substituir livros de ninar que sempre retratam a mulher em papel secundário “pronta a ser resgatada”. O livro é best seller nos Estados Unidos.


Reprodução - Amazon

Fernanda finaliza apontando a importância da publicidade na educação da população para parar de propagar o que sempre foi propagado. Fernanda ainda diz “se nós temos problemas sendo brancas, imagina as mulheres negras, índias etc”.


     3-B-  Painel "Experiência faz a diferença?"


Neste painel participaram João Livi, CEO da Talent; Márcio Callage, CCO da Cubo CC e Marcelo Pacheco, vice-presidente de mercado do Grupo RBS.
João Livi inicia acredita que a experiência faz diferença até certo ponto, porém é preciso dar as novas gerações e a criatividade espaço.  João apresenta seu trabalho para a revista Go Outside:


Segundo Callage, a tecnologia gera mais desejo de participação,  o que nos ajuda a entender o momento atual do mundo e do país e isso além do campo da publicidade afeta também o político, Callage diz que devido a todo esse desejo provavelmente no futuro veremos o sistema político ser mudado. Márcio defende que a comunicação para ser verdadeira tem que ter um propósito e diz que a adaptação nos tempos atuais faz mais diferença que a experiência. Callage disse que acredita que uma ideia faz diferença e sugeriu aos estudantes presentes fazerem coisas interessantes pois quando se faz coisas interessantes, coisas interessantes acontecem conosco.  
Márcio Callage - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta

Marcelo Pacheco aponta o desejo da RBS, cada vez maior em se atualizar, a fazer conteúdo complementar, estudando a rotina do consumidor através do modelo da “jornada do consumidor”, Pacheco afirma ainda que “hoje é o dia mais lento do resto de nossas vidas” que deveremos saber adaptarmos cada vez mais a um mundo em constante mudança.

   3-C-   Painel "Diferença que sempre fez a diferença Diversidade na Comunicação – Desafios e Consequências"


Deste painel participaram Ian Black, diretor da New Vegas; José Luiz Martins, do grupo Sem pé nem cabeça e Ricardo Sales, diretor da Mais Diversidade na Comunicação e Raphaella Martins Antonio, da Thompson. Ian Black inicia o painel comentando da falta de representatividade de mulheres, negros, deficientes e LGBTs nos meios de comunicação. Ele cita que entre as 50 maiores agências de publicidade do Brasil, apenas 3 pessoas negras ocupam cargo de direção, sendo que apenas 19% representado nas peças publicitárias. Ian finaliza dizendo que a diversidade não é questão do outro, mas sim de cada um.

Raphaela inicia sua participação ressaltando a necessidade de um grupo plural e que seja plural de dentro pra fora. Ela cita como exemplo a Avon, que iniciou uma campanha interna de conscientização em relação a transgêneros muito antes de chamar atenção no mercado sendo uma das primeiras marcas a ter modelos trans em sua peças.  Raphaela acredita que é preciso existir uma conscientização e uma inclusão dentro das empresas para que o processo seja verdadeiro. Raphaela fala ainda que a diversidade nunca deverá ser um modismo.


Raphaella Martins Antonio - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta

José Luiz Martins, da Sem pé nem cabeça, observou que a diferença pode ser positiva "Eu, por exemplo, não finjo que tenho deficiência. Simplesmente utilizo essa 'dificuldade' para me tornar singular", comentou, ao dizer que não sente vergonha disso, embora não tenha orgulho.

Ricardo Sales comentou ações de marcas como Doritos e Skol que tiveram sua consultoria em relação à diversidade LGBTQ. Em relação às críticas às campanhas da Skol, Ricardo afirmou que só postar e não ter gente na empresa é oportunismo, mas havendo comprometimento da empresa internamente é válido e essas aberturas devem sim serem aproveitadas. Sales afirma que a Publicidade é uma poderosa ferramenta de comunicação social para mobilizar as pessoas.  Ao fim ele questiona o termo minoria dado que no Brasil somos 51% negros, 52% mulheres 1 em cada 4 portadores de deficiência, 10% LGBTQI, se não repensarmos as estruturas, as agências perderão clientes.
  

3-D- Painel "Comportamento que faz a diferença"  


Nesse painel estiveram presentes Vinicius Malinoski, da Google e Renato Domingues do Facebook.
Segundo Domingues, o Facebook tem como missão tornar o mundo mais aberto, ao dar às pessoas a oportunidade de compartilhar. Atualmente 117 milhões de brasileiros compõem a comunidade mensal da rede social e 87 milhões de brasileiros acessam a plataforma por dia. “Você pode ter toda estratégia, mas se não estiver conectada aos pilares da empresa, ela não acontece”, pontuou, ao apresentar alguns valores da empresa.

Renato sugere “ser ousado” e “ser aberto”. “No Facebook, as pessoas são sempre incentivadas a apresentar diferentes pontos de vista”, disse. A importância de colocar ideias em teste e mensuração foi lembrada através de atributos como ‘Movimente-se rápido’ e ‘Foque no impacto’.  Domingues finaliza dizendo que o futuro pertence aquém está disposto a botar a mão na massa.

Já Vinicius (Google) diz que o feeling tem cada vez menos espaço nas empresas. Ele criticou ainda os que dizem que as máquinas substituirão os seres humanos, citando que ao passo que empregos podem ser substituídos por máquinas, novos empregos surgem. Vinicius afirma que ter medo de errar é terrível e que devemos não repetir as formas já vistas, pois o erro faz parte do processo criativo.
Malinoski sugere ainda o maior uso da prototipação para exemplificar as ideias aos clientes, vídeos que podem ser mais compreendidos que textos, por exemplo.

     3-E- Painel  ""Se reinventando para fazer a diferença"

Neste último painel Caco Barcellos, repórter e Regina Casé, apresentadora ambos da Rede Globo e falaram sobre diversidade.
Caco inicia o painel comentando que o Brasil é o país das diferenças. “Quando a população de um país vive realidades extremamente distintas, os comunicadores precisam decidir de que lado falar. A escolha, aparentemente simples, reserva uma grande oportunidade de fazer a diferença.  “Você pode escolher contar histórias de pessoas bem-sucedidas ou pode contar histórias como a do seu João, que ficou oito meses aguardando uma quimioterapia”. Barcellos destacou que o Brasil apresenta números que seriam comparados ao de uma grande Etiópia e uma pequena Suíça. E que ele decidiu retratar o lado que representa a realidade da ampla maioria da população e que poucos profissionais desejam retratar.
Regina Casé e Caco Barcellos. Filipe Nogueira - Blog da Catapulta

Regina Casé inicia sua participação falando sobre sua infância no Rio de Janeiro, sempre visitando a casa da empregada da família nos finais de semana, a apresentadora brinca que enquanto as amigas da zona sul falavam de “host mother” de intercâmbio nos Estados Unidos, ela tinha uma mãe que morava em uma comunidade, que já não existe mais na capital fluminense. Assim, Regina convidando a todos a combater a chamada “preguiça social”, a apresentadora exemplifica exibindo um episódio de seu programa “Minha Periferia” o qual um garoto de cerca de 14 anos de classe média alta e outro de mesma idade que morava em uma comunidade do Rio de Janeiro vão conhecer as casas um do outro e começam a quebrar preconceitos sociais pré-estabelecidos. Casé apontou ainda que quando se há maior igualdade de gênero a produtividade aumenta em 15% e de etnia 33% (McKinsey). A atriz fala ainda que muitas pessoas a perguntavam porque ela era tão diversa e tinha tantos amigos negros, ela lembrou de sua infância e suas constantes idas à comunidade, além de sempre ir em bairros mais periféricos da cidade. Ao fim, Regina brinca para todos desafiarem os algoritmos, experimentando outros ritmos no Spotify por exemplo, ou tendo amigos dos mais distintos lugares, etnias e classes sociais.
Regina Casé fala sobre diversidade.  Filipe Nogueira - Blog da Catapulta



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