Nunca a diferença fez tanta diferença: Festival de Publicidade de Gramado 2017
Reflexões sobre desigualdade de gênero, mudanças na sociedade e o papel da comunicação social como agente transformador da sociedade foram alguns temas do Festival de Publicidade de Gramado 2017
Entre os dias 7 e 9 de 2017
aconteceu em Gramado, RS o 21º Festival Mundial de Publicidade de Gramado. A
Catapulta esteve no evento e tem o prazer de disponibilizar a estudantes,
clientes e amigos um resumo do que foi o evento. O tema do evento foi “Nunca a
diferença fez tanta diferença”, painéis que abordaram temas como diversidade na
comunicação, questões de gênero, o mundo em constante mudança, publicidade nos
países que não aceitam bem as diferenças entre outros. Profissionais do meio
como Hugo Rodrigues (Publicis Brasil), Rondon Fernandes (Horizon FCB Dubai),
Ricardo Figueira (África), André Kassu (Crispin
Porter + Bogusky Brasil), Lucas Mello (Livead) , André Passamani (Mutato),
Fernanda Romano (Malagueta), Márcio Callage (Cubo CC), Ian Black (New Vegas),
Ricardo Sales (Mais Diversidade) e Caco Barcellos e Regina Casé da Rede Globo
entre outros. O evento foi organizado pela Associação Latino-Americana de
Publicidade – ALAP e patrocinado pela Globo e pelo Grupo RBS.
Confira um resumo do Festival:
Parte I: Sem as diferenças, a propaganda não faz mais diferença. Verdade ou Mentira?
1-A - Painel A Publicidade nos países sem espaço para as diferenças
Composto por Hugo Rodrigues
(Publicis Brasil) e Rondon Fernandes (Horizon FCB Dubai), no painel, Hugo citou
que existem teorias que dizem que o cérebro humano se acostuma com algo novo
tendo já visto 21 vezes. O profissional demonstrou com isso a importância dos
profissionais de publicidade, que segundo ele, ao promover a diversidade em campanhas,
estaria de certa forma educando não só o cidadão a aceitar as diferenças. Hugo,
que é presidente da Publicis Brasil expôs algumas peças produzidas pela agência
entre as exibidas estão a “The Cliché” para a Heineken e “Superheroes para os
Jogos Paralímpicos 2016 do Rio.
Rondon Rodrigues, que atualmente
trabalha em Dubai, passou anteriormente por um período de 2 anos na Rússia,
onde segundo ele o mercado é parecido ao brasileiro na década de 1970, devido
do mercado russo apenas na década de 1990, no país pôde desenvolver campanhas
de baixo orçamento e grande repercussão.
Já em relação ao trabalho atual,
em Dubai, Rodrigues explicou algumas características da região, a qual segundo
ele Dubai é o centro de influência cultural e comportamental, além de ser um
pólo de produção de conteúdo. Em Dubai, Rondon desenvolveu o projeto de
adaptação da Starbucks na Arábia Saudita, sem a tradicional sereia da rede de
cafeterias, observando que para a cultura local, reprodução de imagens é
proibida devido à religião.
Reprodução
Reprodução
Uma ação de sensibilização de
grande visibilidade e que fez a diferença na região foi realizada para chamar
atenção da região e do mundo para o fato de alguns países como o Líbano
permitirem o casamento de meninas a partir dos 14 anos de idade. A ação teve
baixo custo e teve alcançou grande visibilidade.
Uma das campanhas de maior
repercussão global, produzida a um baixo custo localmente foi a “Never Say no
to Panda”:
1B - Painel "A Publicidade nos países que mais aceitam as diferenças"
Ricardo Figueira (África) e Caio
Delmanto (Crispin Porter + Bogusky Brasil) participaram do debate. Ricardo cita
que embora o tema tenha a ver com diferenças em países que aceitam mais a
diferença, o uso dos algoritmos muitas vezes cria clusters com pessoas de
pensamento igual, mais individualistas.
Figueira cita ainda que em sua experiência em Londres pôde observar que
enquanto latinos tendem a ignorar o briefing e apelar para a emoção, para os
nórdicos, a emoção só surpreende se houver lógica na mensagem mostrada. O profissional estimula a plateia composta
majoritariamente por jovens a experimentar, não tendo medo de errar e a ter o
diferente como algo positivo. Na opinião de Ricardo as marcas em países com
maior liberdade de expressão devem ainda mais demonstrar atitudes que condizem
seu posicionamento de aceitação às diferenças. O profissional lembra da
dificuldade de criar diferenciais em países que aceitam mais as diferenças.
Por isso , soluções e campanhas
como “fleet lights” para a seguradora “direct line” que inovou a propor, ainda
em fase experimental, oferecer um serviço de iluminação de caminhos para seus
segurados.
Por fim, Figueira ressalta a
importância de realmente entender o verbo diferenciar.
Durante as perguntas Ricardo diz:
“As marcas que tiveram a coragem de fazer a diferença podem até não ter tido o
maior número de likes, mas terão
fieis para sempre”
Caio critica o que chamou de
costume brasileiro em sempre esperar o grande próximo criativo, o que ganhará
prêmios de comunicação. Delmanto começa a enumera algumas diferenças
encontradas entre trabalha em uma agência em Londres e no Brasil, entre elas
estão:
1 Ignoramos o passado
Devido nossa obsessão por
premiações, sempre estamos esperando o próximo e esquecemos de ver bons
exemplos de inovação em outros tempos. “tomorrow is overrated”
2 Kill the King
Segundo Caio, nossa obsessão por
prêmios e pelo reconhecimento nos leva muitas vezes a fazer com que isso nos
impeça de crescer e se comunicar com o consumidor. Marta o rei seria matar o
orgulho, elogiar e criticar a campanha de outras agências, por exemplo sem
medos.
3 Cut the bullshit
No Brasil temos a cultura de não
sermos diretos e muitas vezes sempre nos expressarmos com anedotas. O que não
necessariamente seja algo ruim, porém temos que ter em mente que em muitos
casos há que se cortar os rodeios e ir direto ao ponto.
4 A cultura do que está na moda
Temos a cultura de direcionar a
criatividade para temas na moda do momento, muitas vezes devido à obsessão
pelos prêmios.
5 “Go, James, go”
Caio conta a história de James,
um colega de trabalho europeu que decidiu largar emprego em uma importante
agência e se aventurar em Shangai. Enquanto essa cultura é reprimida no setor
no Brasil, lá é incentivada.
6 “Don’t say it unless you mean
it”
Como dito anteriormente, temos o
costume de dar voltas para chegar ao assunto, Caio enfatiza que a prolixidade
pode ser maléfica tanto na publicidade como no meio de trabalho.
7 Free Speech
A liberdade que Delmanto
ressaltou possuir no velho continente em expressar o que acredita, sugere que
busquemos também no mercado nacional.
Finalmente, Caio expõe a
realidade londrina que acredita em profissionais estrangeiros, enquanto no
Brasil isso não seja uma prática corriqueira.
1- C Painel "Latinos que fazem a diferença"
André Kassu, conta de seu novo
empreendimento, ou seja, ter trazido a Crispin Porter + Bogusky Brasil para o
país, o qual era um sonho antigo dele e de seu sócio. Kassu acredita que quem
deve mandar em uma agência é a ideia e comenta que em sua agência não se pode
ter ideias penduradas nas paredes e sim filosofia. Acredita que teorizamos
demais e praticamos de menos e nos convida a praticar o futuro.
André Kassu no painel "Latinos que fazem a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
André Kassu no painel "Latinos que fazem a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
“Enquanto queremos entender o
Uber, já tem o Cabify”
Assim como Caio, André cre que
não olhamos pra trás e não observamos a criatividade de grandes talentos.
André cita três exemplos exitosos
do passado
Reprodução Elite Traveler
Guia Michelin, apontado por André
como excelente ideia de propaganda, a ideia de buscar restaurantes que valham a
pena cruzar o país, gastar o pneu e que gerassem consumo do próprio pneu. Kassu
brinca: “Se existesse, teria ganhado um leão de Cannes”.
Outro exemplo citado por André é
uma ação de “marketing de oportunidade”
ou de “guerrilha” proposto pela Puma a Pelé , antes mesmo desses termos serem difundidos:
Reprodução - Women of Brazil
Puma pediu que Pelé entrasse em
campo durante a Copa de 1970 com suas chuteiras desamarradas e as amarrasse ao
entrar em campo, o que fez com que 200 milhões de telespectadores vissem o
calçado que em pouco tempo estaria disponível para consumo.
Por último, a criação de Neil
Ferreira, um dos publicitários que André mais admira, que criou o símbolo do
leão como representação do imposto de renda.
André ao citar alguns lemas diz
“Ideia é igual carro alegórico: se não empurrar não anda”
Kassu ainda ressalta a
importância da paixão pelo o que faz e lembra de como nós, latinos, somos
conhecidos pela paixão ao criar: “gente morna desaparece”.
Reprodução CP+B /McCain
Ideia levada à McCain, que levou
substancial aumento nas vendas além de repercussão nas redes.
Serviço de visitação a
cervejarias da Ambev ao redor do mundo:
Pridetag Smirnoff
Para cada comentário, a marca
gerou uma intereação direta. Para evitar os haters a marca criou um ambiente de
“festa fechada”, ativando a publicação entre internautas a favor e quando os
haters perceberam a publicação, se sentiram deslocados, muitas vezes eles
mesmos apagando os comentários.
Kassu: “Emoção nunca sai de moda”
2. Parte II: Hoje a diferença vem dos lugares mais diferentes
2-A A- diferenças que vem das ruas e que vem do conteúdo
No painel estiveram presentes
Fred Muller, diretor da Globosat ; Edu Cama, diretor de novos negócios da Vice
Brasil e Geraldo Leite, presidente as Singular, Mídia & Conteúdo.
Muller inicia o painel
questionando as previsões do fim da televisão e aponta que, segundo ele, o
mercado deve encaminhar-se na direção do crescimento do que é chamado de “multitelas”.
Fred mostra que o consumidor globosat se caracteriza por ser mobile, consumidor
e usuário e deseja, cada vez mais, conteúdo segmentado. No final, Fred trouxe o
caso do Viu Hub, a plataforma da Globosat para produção de conteúdo para as
redes:
Já Cama, presidente da Vice
Brasil apresentou aos que não conheciam a empresa a qual trabalha, que é
apontada por muitos como a Time Warner da internet. A empresa que já é
consolidada na internet, sabe que não é qualquer conteúdo chama atenção na
rede, por isso existe na empresa o chamado “bullshit detector” quando existe
uma campanha ou propaganda feita em parceria com a Vice que seria, na verdade,
mais do mesmo. A empresa busca usar ferramentas de storytelling, para fazer
campanhas publicitárias. Edu apresentou o projeto feito da Vice em parceria com
o Itaú, que virou um documentário, no youtube chamado “Ciclos” que é um convite
à reflexão sobre mobilidade urbana e meios não-poluentes de locomoção.
Para Geraldo Leite, que estava no painel representando o rádio comenta a importância do rádio na comunicação no país, que ainda é bastante ouvido pela população e segundo ele, não recebe a mesma importância dada à TV pelos anunciantes.
2-B- Painel "A diferença que vem das agências diferentes"
Deste painel participaram Lucas
Mello, CEO da LiveAd; André Passamani, Diretor da Mutato; Eco Moliterno, da
Accenture Interactive e Nicolas Motta, diretor da 3YZ.
Lucas Mello inicia o debate
relembrando seu início de carreira, quando ao fazer campanha para Olympikus Tube,
onde antes da explosão do fenômeno de digital influencer, Lucas encontrou jovens
que eram formadores de opinião em escolar de classe média em algumas cidades,
fez com que eles participassem do processo de criação do tênis e entregou o
tênis em mãos, ainda que a marca tenha um posicionamento para outras classes
sociais, os adolescentes ficaram bastante contentes em ver algo customizado
entregue a eles. Essas ações classificadas por ele como “marketing boca a boca”
deram visibilidade ao tênis. Mello
avança no tempo e relembra que os blogueiros apareceram pela primeira vez na
grande mídia em 2006 quando blogs de celebridades foram convidados para cobrir
o carnaval e Lucas esteve no projeto. Lucas comenta ainda que em 2009 conquistou o
prêmio Leão de Ouro em Cannes na categoria de PR com o projeto Mil Casmurros
para a Rede Globo, na promoção de “Capitu” Mello contou que juntou uma obra de
1899 ao conceito de rede social, o que fez com que a obra fosse lida
coletivamente por mil pessoas, a ideia chamou atenção do público e da mídia
estrangeira.
Lucas comenta ainda que acredita
existir 2 lados para fazer diferente, o estético e o conteúdo. Em relação ao
conteúdo Mello diz crer que o mesmo seja uma ferramenta poderosa em gerar
desejo ao consumidor. Como exemplo Lucas
mostrou a campanha de dia dos namorados para a Bem and Jerrys, a qual houve
relutância na Unilever local, mas ele levou o caso até a direção global da
companhia a qual autorizou:
Lucas aconselha aos estudantes que os caminhos que nos falaram para seguir já são velhos
André Passamani da Mutato
acredita que o modelo de “dupla de criação já passou” e que a criação pode
ocorrer em equipe e inclusive ouvir, respeitar as opiniões dos mais jovens, “ouvir
o estagiário” o ajudou bastante a acertar em temas mais atuais os quais muitas
vezes ele não conhecia a fundo. Passamani reafirma a importância de ouvir mesmo
que muitas vezes a comunicação não seja fácil.
“Quando você demonstra que não é só pra lacrar, que também tem resultado, o cliente começa a entender” André Passamani
Nicolas Motta, diretor da 3YZ,
conta que evita em falar em mídia digital para fugir dos modismos que creem que
deva-se existir campanhas exclusivamente digitais e não integradas. Motta
acredita que mais que nunca, devemos ser transparentes na comunicação social e
que as campanhas atuais devem ser próximas do público/representativas, úteis e
que tragam resultados. Nicolas aponta
que existe uma forte tendência em diminuição do vínculo veículo/agência. Motta fala da preocupação da 3YZ na igualdade
de gênero no espaço de trabalho e que na agência existe esse princípio.
Nicolas cita o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau que perguntado porque metade de seu gabinete é composto por mulheres responde “Because it’s 2015”.
2- C - Painel ""A
diferença que vem das redes"
Neste painel estiveram presentes
Rafinha Bastos, humorista; Gustavo Chagas, do Porta dos Fundos e Gil Giardelli,
web ativista, especialista em redes, professor da ESPM-SP.
Gil começa um pequeno resumo de
práticas, iniciativas e avanços tecnológicos relacionados a redes, entre elas a
criação de smart clothes pela Levi’s, sensíveis ao toque.
Giardelli diz ainda que “o
diploma de todos nós já têm data de validade, o dia depois que nos formamos”
devido à intensidade e rapidez que as mudanças vem ocorrendo e que nós
necessitamos constantemente aprender, desaprender e reaprender. Rafinha Bastos
lembra de seu blog, da década passada que foi onde teve bastante visibilidade,
o humorista defende a liberdade de criação na web inclusive para conteúdos
considerados muitas vezes contraditórios, pois seria mais fácil saber da
existência de grupos radicais na web que na deepweb, por exemplo. Em relação ao
público da rede, Bastos comenta que quanto maior seu público, mais chances de certa
forma, ser limitado por seu público você será pois para manter os views você
poderá ser forçado a seguir o mesmo modelo o qual teve sucesso. Gustavo Chagas
falou da importância em respeitar as críticas de grupos que se sentiram
ofendidos por conteúdos das redes, pois muitas vezes não entendemos a realidade
dessas pessoas.
Rafinha Bastos em Painel " A diferença que vem das Redes" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Parte
III: Gente que está fazendo a diferença
3-A- Painel "Mulheres
que estão liderando e construindo a diferença"
Deste painel participaram Andrea
Siqueira, diretora de Criação da Isobar; Fernanda Romano, diretora da Malagueta
NY e Luisa Kracht, diretora de Cinema da Primo Cinematográfica.
Painel "Mulheres que estão liderando e construindo a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Painel "Mulheres que estão liderando e construindo a diferença" - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Luisa inicia o painel perguntando
por quê há a necessidade de impor uma sensibilidade da mulher e impor às
mulheres certos trabalhos tidos como relacionados ao gênero. Kracht afirma que
seu trabalho mais difícil foi para a equipe de futebol do Boca Juniors e não
por se tratar de um tema tido do universo masculino e sim pelo fato dela ser
torcedora do River Plate.
Mais a frente Luisa fala que há
que se combater o que se chamou de um certo aprisionamento do papel da mulher e
que acredita que se existe uma sensibilidade feminina a mesma se trata de saber
que o lugar da mulher é não aprisionar o papel da mulher.
Fernanda Romano começa o debate
expondo que estudos apontam que no Festival de Publicidade mais famoso do
mundo, o de Cannes, mais de 80% dos premiados são homens brancos. Devemos
pensar no que faz com que a desigualdade de gênero chegue a esse nível. Romano
ainda afirma que quando se há pessoas diferentes na sala, os resultados são
maiores e não só em relação a mulheres, mas sim também de trans, gaus etc. Fernanda diz que de certa forma sempre temos
algo machista pois somos produtos do meio. Romano cita como bom exemplo nos EUA
o livro ‘Rebel Girls” de meninas reais que foram consideradas rebeldes e fizeram
grandes feitos e é feito pra substituir livros de ninar que sempre retratam a
mulher em papel secundário “pronta a ser resgatada”. O livro é best seller nos
Estados Unidos.
Reprodução - Amazon
Fernanda finaliza apontando a
importância da publicidade na educação da população para parar de propagar o
que sempre foi propagado. Fernanda ainda diz “se nós temos problemas sendo
brancas, imagina as mulheres negras, índias etc”.
3-B- Painel "Experiência
faz a diferença?"
Neste painel participaram João
Livi, CEO da Talent; Márcio Callage, CCO da Cubo CC e Marcelo Pacheco,
vice-presidente de mercado do Grupo RBS.
João Livi inicia acredita que a
experiência faz diferença até certo ponto, porém é preciso dar as novas
gerações e a criatividade espaço. João
apresenta seu trabalho para a revista Go Outside:
Segundo Callage, a tecnologia
gera mais desejo de participação, o que
nos ajuda a entender o momento atual do mundo e do país e isso além do campo da
publicidade afeta também o político, Callage diz que devido a todo esse desejo
provavelmente no futuro veremos o sistema político ser mudado. Márcio defende
que a comunicação para ser verdadeira tem que ter um propósito e diz que a
adaptação nos tempos atuais faz mais diferença que a experiência. Callage disse
que acredita que uma ideia faz diferença e sugeriu aos estudantes presentes
fazerem coisas interessantes pois quando se faz coisas interessantes, coisas
interessantes acontecem conosco.
Márcio Callage - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Márcio Callage - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Marcelo Pacheco aponta o desejo
da RBS, cada vez maior em se atualizar, a fazer conteúdo complementar,
estudando a rotina do consumidor através do modelo da “jornada do consumidor”,
Pacheco afirma ainda que “hoje é o dia mais lento do resto de nossas vidas” que
deveremos saber adaptarmos cada vez mais a um mundo em constante mudança.
3-C- Painel "Diferença que sempre fez a diferença Diversidade na Comunicação – Desafios e Consequências"
Deste painel participaram Ian
Black, diretor da New Vegas; José Luiz Martins, do grupo Sem pé nem cabeça e
Ricardo Sales, diretor da Mais Diversidade na Comunicação e Raphaella Martins
Antonio, da Thompson. Ian Black inicia o painel
comentando da falta de representatividade de mulheres, negros, deficientes e
LGBTs nos meios de comunicação. Ele cita que entre as 50 maiores agências de
publicidade do Brasil, apenas 3 pessoas negras ocupam cargo de direção, sendo
que apenas 19% representado nas peças publicitárias. Ian finaliza dizendo que a
diversidade não é questão do outro, mas sim de cada um.
Raphaela inicia sua participação
ressaltando a necessidade de um grupo plural e que seja plural de dentro pra
fora. Ela cita como exemplo a Avon, que iniciou uma campanha interna de
conscientização em relação a transgêneros muito antes de chamar atenção no
mercado sendo uma das primeiras marcas a ter modelos trans em sua peças. Raphaela acredita que é preciso existir uma
conscientização e uma inclusão dentro das empresas para que o processo seja
verdadeiro. Raphaela fala ainda que a diversidade nunca deverá ser um modismo.
Raphaella Martins Antonio - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Raphaella Martins Antonio - Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
José Luiz Martins, da Sem pé nem
cabeça, observou que a diferença pode ser positiva "Eu, por exemplo, não
finjo que tenho deficiência. Simplesmente utilizo essa 'dificuldade' para me
tornar singular", comentou, ao dizer que não sente vergonha disso, embora
não tenha orgulho.
Ricardo Sales comentou ações de
marcas como Doritos e Skol que tiveram sua consultoria em relação à diversidade
LGBTQ. Em relação às críticas às campanhas da Skol, Ricardo afirmou que só
postar e não ter gente na empresa é oportunismo, mas havendo comprometimento da
empresa internamente é válido e essas aberturas devem sim serem aproveitadas.
Sales afirma que a Publicidade é uma poderosa ferramenta de comunicação social
para mobilizar as pessoas. Ao fim ele
questiona o termo minoria dado que no Brasil somos 51% negros, 52% mulheres 1
em cada 4 portadores de deficiência, 10% LGBTQI, se não repensarmos as
estruturas, as agências perderão clientes.
3-D- Painel "Comportamento que faz a diferença"
Nesse painel estiveram presentes
Vinicius Malinoski, da Google e Renato Domingues do Facebook.
Segundo Domingues, o Facebook tem
como missão tornar o mundo mais aberto, ao dar às pessoas a oportunidade de
compartilhar. Atualmente 117 milhões de brasileiros compõem a comunidade mensal
da rede social e 87 milhões de brasileiros acessam a plataforma por dia. “Você
pode ter toda estratégia, mas se não estiver conectada aos pilares da empresa,
ela não acontece”, pontuou, ao apresentar alguns valores da empresa.
Renato sugere “ser ousado” e “ser aberto”. “No Facebook, as pessoas são
sempre incentivadas a apresentar diferentes pontos de vista”, disse. A
importância de colocar ideias em teste e mensuração foi lembrada através de
atributos como ‘Movimente-se rápido’ e ‘Foque no impacto’. Domingues finaliza dizendo que o futuro
pertence aquém está disposto a botar a mão na massa.
Já Vinicius (Google) diz que o
feeling tem cada vez menos espaço nas empresas. Ele criticou ainda os que dizem
que as máquinas substituirão os seres humanos, citando que ao passo que
empregos podem ser substituídos por máquinas, novos empregos surgem. Vinicius
afirma que ter medo de errar é terrível e que devemos não repetir as formas já
vistas, pois o erro faz parte do processo criativo.
Malinoski sugere ainda o maior
uso da prototipação para exemplificar as ideias aos clientes, vídeos que podem
ser mais compreendidos que textos, por exemplo.
3-E- Painel ""Se reinventando para fazer a diferença"
Neste último painel Caco
Barcellos, repórter e Regina Casé, apresentadora ambos da Rede Globo e falaram
sobre diversidade.
Caco inicia o painel comentando
que o Brasil é o país das diferenças. “Quando a população de um país vive
realidades extremamente distintas, os comunicadores precisam decidir de
que lado falar. A escolha, aparentemente simples, reserva uma grande
oportunidade de fazer a diferença. “Você pode escolher contar
histórias de pessoas bem-sucedidas ou pode contar histórias como a do seu João,
que ficou oito meses aguardando uma quimioterapia”. Barcellos
destacou que o Brasil apresenta números que seriam comparados ao de uma grande Etiópia
e uma pequena Suíça. E que ele decidiu retratar o lado que representa a realidade
da ampla maioria da população e que poucos profissionais desejam retratar.
Regina Casé e Caco Barcellos. Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Regina Casé e Caco Barcellos. Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
Regina Casé inicia sua
participação falando sobre sua infância no Rio de Janeiro, sempre visitando a
casa da empregada da família nos finais de semana, a apresentadora brinca que
enquanto as amigas da zona sul falavam de “host mother” de intercâmbio nos
Estados Unidos, ela tinha uma mãe que morava em uma comunidade, que já não
existe mais na capital fluminense. Assim, Regina convidando a todos a combater
a chamada “preguiça social”, a apresentadora exemplifica exibindo um
episódio de seu programa “Minha Periferia” o qual um garoto de cerca de 14 anos
de classe média alta e outro de mesma idade que morava em uma comunidade do Rio
de Janeiro vão conhecer as casas um do outro e começam a quebrar preconceitos
sociais pré-estabelecidos. Casé apontou ainda que quando se há maior igualdade
de gênero a produtividade aumenta em 15% e de etnia 33% (McKinsey). A atriz
fala ainda que muitas pessoas a perguntavam porque ela era tão diversa e tinha
tantos amigos negros, ela lembrou de sua infância e suas constantes idas à
comunidade, além de sempre ir em bairros mais periféricos da cidade. Ao fim,
Regina brinca para todos desafiarem os algoritmos, experimentando outros ritmos
no Spotify por exemplo, ou tendo amigos dos mais distintos lugares, etnias e
classes sociais.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Visite nosso site ;)
Curta nossa Página no Facebook
Segue a gente no Instagram ;)
Regina Casé fala sobre diversidade. Filipe Nogueira - Blog da Catapulta
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Visite nosso site ;)
Curta nossa Página no Facebook
Segue a gente no Instagram ;)












Comentários
Postar um comentário